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APRESENTAÇÃO “O TEMPO ESCULTOR” de Franco Mario Compagno

Udine, em 04/09/2026 – nos espaços da Paróquia Cristo Rei

Aproveitando uma noite agradável para apresentar o novo livro de poesias “O tempo escultor” de Franco Mario Compagno, junto com a Irmã Cristina, a professora Silvia Gomba, a ilustradora Margherita Zuliani e o jornalista Carlo Tomaso Parmegiani. Moderador: Ugo Falcone, responsável pelos Arquivos Históricos e Instituições do ministério italiano – Friuli Venezia Giulia, e professor de literatura.

O evento aconteceu dentro da festa paroquial, no segundo dia dedicado à cultura. Muitos participantes também vieram do mundo cultural do Friuli Venezia Giulia.

 

APRESENTAÇÃO

O TEMPO ESCULTOR de Franco Mario Compagno

Cultura e fé, porque a poesia nasce do coração do homem, e é ali que Deus habita… vamos abrir a porta para Ele!

Agradecimentos

Vou dividir minha apresentação em três pontos, que extraímos desta coletânea de versos, poemas, aparentemente curtos (se quisermos contar apenas as palavras), mas longos, ou seja, muito profundos.

São poemas fenomenológicos, que nos representam / expressam / o que somos, o ser dentro de nós, trazendo isso à luz do fenômeno.

Uma jornada para o interior que nos é revelada sem reservas e com muita delicadeza… para chegar ao encontro de Deus, que habita no coração de cada um de nós.

  1. Fenomenologia do íntimo – do nosso diálogo interior

Ou seja, a fenomenologia daquela parte mais interna, mais íntima, mais profunda, mais escondida em cada um de nós.

Começo com uma citação de Santo Agostinho, que me veio à mente de forma totalmente espontânea, quando, de certa forma, acompanhei a escrita desses versos…

Tu autem eras interior íntimo meo et superior summo meo.

TU eras mais íntimo de mim do que eu mesmo. Literalmente: Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima e mais alto do que a minha parte mais alta. (Confissões 3,6.10-11)

É a experiência da nossa intimidade mais profunda

Essa experiência do infinito, da abertura, da transcendência, essa porta aberta dentro de nós, é a surpresa, o conteúdo desses versos, o lugar para onde somos catapultados. Somos feitos para a transcendência, e a experiência que temos quando nos aprofundamos nesse diálogo conosco mesmos é metafísica. Por isso é “originária”.

  1. Fenomenologia do diálogo – que surge do encontro e que leva ao cuidado

Pelo diálogo percebemos que encontramos alguém, e do encontro nasce o cuidado

Cito: E, se eu não puder te ver, / Você estará comigo, / De qualquer jeito e para sempre! (p. 13)

Não deveríamos nos surpreender com a necessidade de ter alguém com quem conversar.

O ser humano é dialógico (Emanuele Borgna, a mansidão), o diálogo faz parte da nossa essência.

A mansidão tem suas raízes na vida interior de cada um de nós… mas a vida interior, algo que tendemos a esquecer, não é fechada em si mesma, está aberta ao mundo da vida e ao infinito, em um diálogo recíproco, que se renova sem fim (Eugenio Borgna, p. 80, a mansidão)

Esse diálogo nos leva a reconhecer o Outro, até que também consigamos nomeá-lo, estamos falando de Deus. Há um OUTRO que me é revelado pelo encontro, e é Deus.

É do encontro com o outro, do diálogo na verdade, que surge o cuidado pelo outro, manifestação de amor.

Cito: No cuidado das palavras / as palavras do cuidado / são compartilhamento de emoções.

Tem tanto pra dizer, porque tudo que toca e expressa a parte verdadeira de nós, ou a parte reconciliada, se ancora na verdade do ser. Como podemos afirmar que estamos na verdade de nós mesmos? (além da possibilidade de reconhecimento pessoal, de se reconhecer nos versos dessas poesias) Confiar apenas na emoção, no encantamento ou no “reconhecimento” é pouco.

(Os salmos… por exemplo)

  1. O TEMPO ESCULTOR

Quero pegar uma última ideia rápida do título desta coletânea de poemas “O tempo escultor”

CITO: Mas existe mesmo um porquê? / Atravessamos o tempo / Sem perder um instante de alegria. (p.52)

Fica clara a consciência de que somos “temporais”, somos históricos.

Somos “seres do tempo”, somos temporais: quanto o tempo nos influencia, quanto pertencemos ao tempo: contingência ou necessidade.

Essa historicidade não é vivida com angústia, (tanto que atravessamos o tempo sem perder um instante de alegria) mas é, na verdade, uma característica essencial nossa, que nos torna quem somos.

Karl Rahner: O homem é espírito na história. O homem é um ser histórico. Para nós, isso não é mais apenas uma constatação simples [devida a um conjunto de realidades distintas e à sua subsequente associação], mas uma ideia essencial, cujos elementos foram captados por um princípio original.

Somos históricos porque somos uma unidade substancial de matéria e espírito (Unidade substancial se refere a uma conexão profunda, real e essencial entre elementos, que vai além das aparências formais, distinções teóricas ou manifestações externas).

CITO: Não chamando de Deus, / Mas chamando de matéria, / Você só mudou de nome. (p.20)

«O ser do homem […] é o ser daquela possibilidade indeterminada e real chamada matéria», afirma Rahner, retomando a filosofia tomista.

 

Final:

Somos seres minúsculos

Suspensos 

Entre infinitos. 

 

A profundidade do abismo interior é imensa 

Um raio da luz de Deus 

O atravessa. (p.34)

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1″O tempo, grande escultor” é uma famosa coletânea de ensaios de Marguerite Yourcenar (publicada pela Einaudi), em que a autora explora como o passar do tempo transforma a arte, a história e a vida humana. O tempo é visto como um agente que, como um escultor, molda e transforma a realidade, os relacionamentos e a memória, muitas vezes aperfeiçoando a obra de arte.

2K. Rahner (1904-1984), Ouvintes da Palavra, p. 176. Filósofo e teólogo alemão do século XX.

 

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